Esperanto: Uma ponte entre culturas e etnias

Ivan E. Colling, ago. 2012.

O esperanto é uma língua internacional planejada, proposta por um jovem polonês, médico recém-formado, chamado Lázaro Luís Zamenhof (Lejzar Ludwik Zamenhof). Quando tinha 27 anos de idade, ele publicou as bases do idioma em um pequeno livro de 40 páginas intitulado Lingvo Internacia (Língua Internacional), lançado em 1887. A ideia de Zamenhof foi fornecer uma alternativa para a comunicação internacional que fosse neutra, não pertencesse a nenhuma nação ou grupo étnico em particular, mas a todos ao mesmo tempo, constituindo-se em uma ponte entre os povos, em um clima de respeito aos idiomas e às culturas locais e regionais. A partir da publicação, o idioma passou a ser estudado e praticado por pessoas em diferentes pontos do planeta (um fato interessante: em 1890 o esperanto já havia chegado ao Brasil).

 

O trabalho dos esperantistas foi reconhecido pela UNESCO por duas vezes (Montevidéu, 1954 e Sófia, 1985) e a Associação Mundial de Esperanto (com sede em Roterdã, Países Baixos) mantém relações oficiais com a ONU e com a UNESCO.

 

Principais características do esperanto: vocabulário internacional, alfabeto fonético, flexibilidade na formação das palavras e gramática regular. A maioria das palavras do idioma é facilmente compreendida por quem fala uma língua latina ou germânica, e em torno de 40% por quem fala uma língua eslava; já a maneira como se compõe as palavras é aglutinante (semelhante a idiomas como o húngaro, o finlandês, o turco, o japonês) e há algumas características que o aproximam também de línguas isolantes (como o vietnamita e o chinês).

Com falantes em mais de cem países, o esperanto possibilita o acesso à cultura mundial (há milhares de livros traduzidos ao idioma, desde poemas da Estônia até contos da Macedônia). Além disso, ao longo dos 125 anos de sua história, desenvolveu-se uma cultura própria, internacional ou transnacional, que se reflete na literatura original, em peças de teatro, programas de rádio, filmes e música (hoje, uma das bandas de rock mais populares no meio esperantista é brasileira: a Supernova). Há versões em esperanto do navegador Mozilla e também do Google (inclusive o tradutor do Google tem o esperanto entre suas opções).

Aquele modesto livro lançado em 1887 por Zamenhof deu início a uma verdadeira revolução no campo da interlinguística. Dentre as muitas línguas planejadas propostas ao longo da história, tanto línguas filosóficas a priori, como línguas a posteriori, o esperanto tornou-se a única que evoluiu de projeto para o patamar de língua efetivamente falada, que sobreviveu ao seu proponente, que evolui como qualquer outra língua (por exemplo, pela natural incorporação de novos vocábulos advindos da evolução tecnológica: interreto – internet; komputilo – computador; poŝtelefono – telefone celular), cuja comunidade apresenta um crescimento, com produção literária e existência de falantes nativos. O esperanto é um fenômeno único na história da humanidade.

Conforme se pode perceber, o esperanto é uma língua viva. Constitui-se no traço de união e de identidade de uma comunidade multicultural. É uma língua que não se impõe pelo poder econômico, político e/ou militar; estudar esperanto é um ato de liberdade de escolha. Após algum tempo de uso, a maioria dos falantes passa a considerá-la não como uma língua estrangeira, mas como sua língua, que, integrada em suas vidas, atua como um intermediador de uma experiência de interculturalidade única.

Se você se interessou pelo assunto e deseja saber mais, visite:

Liga Brasileira de Esperanto:

www.esperanto.org.br

Página internacional, com materiais em muitas línguas:

www.esperanto.net

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